Nov 27, 2009

Thanksgiving no Brasserie 8½

Escolher um restaurante para comer-morarmos o Thanksgiving foi difícil. O primeiro filtro foi feito na escolha de restaurantes de cozinha Americana, e o Brasserie 8½ apareceu como uma contemporânea americana interessante. O menu também contava bastante como segundo passo da seleção, pois tinha que ter uma opção meio vegetariana (a.k.a peixe).

Eu gostei bastante do lugar, com uma escadaria bonita e decoração clean. Escolhi uma entrada de abóbora recheada com risoto de camarão que era maravilhosa e divertida, pois o garfo raspava no interior da abóbora e dava um mix meio docinho ao risoto. O maridão comeu um crab cake também muito gostoso.


O peru era bem feito, super bem temperado e suculento, mas a mistureba de acompanhamentos mais agridoces como o cranberry sauce dentro de uma maçã e o stuffing* com uva passa não são tão meu paladar. Senti falta da farofinha com azeitona que assa dentro do peru de Natal brasileiro!


E para mim, a melhor parte do jantar que começa 2pm foi a sobremesa. Uma maravilhosa cheesecake de butternut squash, um tipo de abóbora, acompanhada de calda de caramelo com gengibre e sorvete de uva. Divina, com gostinho de queijo na medida e equilíbrio de doce com o azedinho do sorvete. Como outra opção, tinha também uma torta de maçã com uma massa folheada levinha e crocante.


A conta com vinho, taxa e gorjeta saiu $77 por pessoa, sendo o menu somente $49. Era um preço mediano entre as opções que vimos e com certeza valeu a experiência e não ter que limpar a cozinha no final do dia.

*stuffing do peru lembra a farofa, mas sem farinha e com pedaços de pão, cenoura, salsão, cebola e o que mais o cozinheiro quiser inventar.

Nov 25, 2009

Cannolis

Enquanto o peru não vem, escrevo sobre mais um cantinho descoberto em NYC: a [Artisan Stuffed Cannolis]. Pelas aventuras das filmagens do RG:NY, achei esse canto escondidinho no Lower East Side que tem uma super lojinha fofa.


Tudo nos conformes dos padrões sicilianos, a receita vem de geração em geração, e foi diversificada com outros ingredientes e sabores, resultando em 70 variedades de cannolis. Tem de tudo um pouco, o original tem o sabor forte da ricotta, mas para os que preferem um sabor mais light recomendo o dulce de leche, docinho na medida e sem o gosto de queijo acentuado. Na dúvida, pegue 3 por $5!

Thanksgiving 2009

When all our plans of Thanksgiving fell apart, from going to Boston, Connecticut to Washington D.C., I decided it wasn't this year I would start a tradition of cooking Thanksgiving dinner. No way I'm spending hours in the kitchen to cook for 2 and have turkey leftovers until we fly to Brazil.

We will go and get it already made from a restaurant - no dishes and kitchen to clean. Brasserie 8½ was the chosen one, you can see the [menu here] and my opinion will come tomorrow, with a belly full of turkey and pumpkin!

Nov 21, 2009

Meu mapa guloso de Paris

Antes de ir pra Paris, dei uma pesquisada em lugares para conhecer. Há vários blogs de outros comilões que me ajudaram muito com a minha pesquisa, e assim saí com uma lista de coisas gostosas, algumas simples, outras bem refinadas, e umas visitas a alguns museus pelo caminho.


View Minha Paris mais gorda in a larger map

Fui em busca do melhor mil folhas de Paris, e o encontrei na doceria do Jacques Genin, acompanhada da Monica, uma grande amiga minha que mora por lá. É realmente o melhor que comi - e não foram poucos - e vale a viagem de metrô até lá (133 Rue de Turenne). Pedimos o tradicional de baunilha, além de uma bomba (éclair) de chocolate maravilhosa. Para acompanhar, uma carta inspiradora com muitos tipos de chá. Tentei voltar pra comer antes de embarcar de volta pra casa, mas eles fecham às segundas-feiras.


Também fui em busca do melhor macarron, e o encontrei na [Gérard Mulot]. O favorito foi um de caramelo, puxa-puxa e doce na medida, recheio molhadinho e casquinha crocante.


O melhor pain au chocolat? Com certeza da [Ladurée], com alguns endereços espalhados pela cidade. Fresquinho e com o chocolate distribuído pelo croissant todo, não concentrado no meio como a grande maioria.


E a sobremesa mais marcante? Talvez por ter sido a primeira, mas o sorvete de leite de ovelha do [Le Comptoir du Relais Saint-Germain]. Consistência perfeita, sabor suave e maravilhoso, daquele que dá vontade de passar o dedo no derretidinho.


Pra finalizar, uma visitinha a um canto de Paris que tem várias lojas de utensílios de cozinha no 2éme Arrondissement. Vale uma andadinha pelo bairro e pelas lojas empoeiradas, com panelas de cobre e forminhas de todos os tamanhos. Minha favorita: [E.Dehillerin], eu podia ficar o dia inteiro lá!

Nov 17, 2009

Eu moraria na Bélgica

Porque:

1) A Bélgica é a terra das cervejas, dos chocolates, dos waffles e das batatas fritas.
2) É povoada por magros, esbeltos e bonitos que comem tudo isso e não engordam.
3) Timtim, Hagar e os Smurfs nasceram lá e têm um museu só pra eles.
4) Têm de tudo que é gente do mundo, que nem New York, mas não fede.
5) Abriga o maior paradoxo da Europa: pessoas que falam francês e são uns amores.

E que que eu comi de bom por lá? MUITA coisa. As batatas fritas de qualquer barraquinha são maravilhosas. O segredo, nada saudável, é a banha de porco em que são fritas e o processo, que envolve uma primeira imersão na banha, repouso, e outra imersão assim que você paga, deixando as batatinhas super crocantes.


Os chocolates são maravilhosos também, e provei uma média de 8 bombons por dia. Tem uma chiquetosa [Pierre Marcolini], onde os bombons ficam em display de jóias - não deixam nem fotografar! - e as mais famosas e conhecidas como Neuhaus e Leonidas. Godiva a essa altura ficou no chinelo.

Os dias foram corridos, pois em 2 dias passeamos pela charmosa Antuérpia, por Brugge e suas construções e ruazinhas de deixar qualquer um andando e vagando o dia todo, e por Bruxelas, com o misto da população jovem e as casinhas centenárias.


Também foi em Bruxelas que reencontramos um grande amigo que nos acolheu na sua casa e vimos um pouquinho mais do que é ser belga e não turista. Jantamos no [Les Brassins], um restaurante super tradicional, com muita cerveja e carne. Comi um Carbonnades flamandes (beef stew cooked in beer) que se desfazia na boca, hmmm... Só faltou a foto!

2 dias em Amsterdam e a melhor geléia do mundo

Finalmente consigo colocar os posts devidos em ordem e vou por partes, lembrando que a viagem teve um grande enfoque gastronômico. Assim que chegamos em Amsterdam - por sorte, num sábado - fomos conferir a Boerenmarkt, uma feira livre, onde compramos uns queijos super gostosos e uma baguette - ah! que saudade de pães de verdade! A melhor surpresa pra mim foi um queijo de cabra fresco com mel e raspas de limão, dava um equilíbrio super suave ao gosto marcante do chèvre.


Depois de um maravilhoso picnic a beira do canal com a companhia de patinhos e cisnes, fomos provar o que se tornou o melhor chocolate da viagem toda. Graças a dica de uma amiga chocólatra que morou por lá, conhecemos a Puccini e seus chocolates gigantes e maravilhosos! Imperdível e dá vontade de pegar um de cada. Quatro chocolatinhos custam tanto quanto o almoço romântico de queijos e pães a beira do canal, mas vale muito a pena.


A beleza de Amsterdam está nos canais e nas pessoas bonitas. E a surpresa está nas bicicletas. Eu sei, era a maior expectativa ver aquele mar de bikes, mas pra mim o que chamou mais a atenção foi o equilíbrio dos passageiros na garupa. Não há um banquinho confortável, senta-se ali no apoio de mala mesmo, e de lado, sem pontos de segurança e sem abraçar a barriga do piloto. Ai ai ai, não é comigo MESMO. Tinha caído da bike, me ralado toda e levado o piloto junto.


E foi em Amsterdam também que eu achei a melhor geléia do mundo. Fomos a uma padaria super bem recomendada, a [De Bakkerswinkel]. Forma-se uma fila na porta às 9:50 e 10:10 não tinha mais mesa. Não tem cardápio em inglês, mas alguém vem e te explica o cardápio inteirinho. Um café da manhã fabuloso, acompanhado de geléias diferentes, dependendo da mesa em que você se senta. Fui na de maracujá, e parece um misto de mousse com consistência de doce de leite. De comer do pote lambendo os dedos, ajoelhado, rezando, em cima do milho. Tão bom que decidi correr o risco, passear por diversas cidades e escondê-la da alfândega americana.


E eu poderia falar do museu do Van Gogh, do Ice bar (um bar a -5ºC), do Museu Rijks, da rua que tem prostitutas nas vitrines e dos tamanquinhos, mas tudo isso está no guia Top 10 Amsterdam da DK EyeWitness. Legal mesmo são as pequenas coisas que nos pegam de surpresa, como uma Elephant Parade, um jogo de xadrez gigante e a versão diferente do Kroketten (um bom e sequinho croquete de carne).

Endereços:
* Puccini: Staalstraat 17
* Boerenmarkt: Noordermarkt
* De Bakkerswinkel: Roelof Hartstraat 68

Nov 15, 2009

Chelsea Market II

Eu adoro o [Chelsea Market], e já falei [antes dele no blog]. Ele era a antiga fábrica da Nabisco, tem mil lojinhas gostosas e um mix divertido da estrutura antiga da fábrica com o ar urbano de NY. Uma pena que anda muito lotado aos finais de semana, mas ainda assim encaro a muvuca em busca dos meus ingredientes favoritos.


O primeiro deles é o leite da [Ronnybrook Farm]. Não tem leite melhor, e toda vez devolvemos as garrafas de vidro pelo bem do ambiente e do bolso, abrindo mão do bem dos ombros que as carregam até lá.

A próxima parada é o [Manhattan Fruit Exchange]. De fora ele nem é tão tcharam, mas é um paraíso dos que gostam de cozinhar, podendo até esbarrar em seu chef favorito. Foi o único lugar que encontrei 2 tipos de mamão, 3 de beringela e um número incontável de ervas frescas e queijos. Hoje comprei 2 de cabra e um chamado Amsterdam, além de tomatinhos amarelos docinhos e morangos orgânicos gostosos. O preço vale a distância, pois encontra-se os mesmos produtos que vendidos no Whole Foods, mas a preços mais agradáveis.


E a última parada de hoje foi a loja de itens de cozinha [Bowery Kitchen Suplies]. É de deixar qualquer chef - amador ou profissional - nas nuvens com a quantidade de itens de cozinha a preços super razoáveis. Não consigo sair de lá sem um potinho fofo, uma colher, um utensílio e às vezes até umas facas e ramekins novos.

E o mercado recebeu novos nomes, como uma floricultura linda, um açogue (que fechou mais cedo neste domingo, grrr) e uma filial do famoso [Jacques Torres]. Recomendo pra qualquer turista bom de garfo ou curioso na cozinha.

Nov 4, 2009

Soborô Soup

Tenho a minha lista de posts devidos que incluem a visita das meninas, a viagem à Europa com todos os restaurantes maravilhosos pelos quais passamos e também um post a futura ida a San Francisco.

Mas como os dias ainda não estão insuportavelmente frios, estou guardando essas fichas para alguma tarde horrorosa de temperaturas negativas para colocar tudo em dia.

Enquanto isso, fica mais um post gastronômico. Hoje era um daqueles dias que eu pensei "putz, não tem NADA na geladeira". E nada mesmo! Tem ali uma geléia maravilhosa que veio de Amsterdam, um pote de fois gras do Felipe e 2 garrafas de leite.

E em dias como esse eu me imponho o desafio de achar coisas que sobram no congelador e no armário e fazer algo light, nutritivo e gostoso. O congelador sempre tem umas sobras e pedaços que ficam esquecidos, e assim inventei a Soborô Soup.

A piada do nome faz mais sentido aos decendentes japoneses, pois todos têm uma avó que não consegue pronunciar o R isolado. Por causa da construção fonética japonesa, R vira "ro", e faz a piada com os restos que catei no freezer.

A sopa levou um pedacinho de salmão pequeno demais para 1 porção, um macarrão que sobrou do Hosh Hashana, uns edamames (soja verde) que sempre tenho para a hora da fome, uma pitada de Hondashi (peixe desidratado sempre presente em casas de orientais), um ume-boshi (conserva japonesa de ameixa) que não estraga e fica meses na minha geladeira e - o segredinho! - um tempero para sopas que comprei no Bon Marché lá em Paris já pensando no inverno que se aproximava.


Sei que para muitos de restos não tem muito, mas consegui mais uma vez, num dia de "geladeira vazia", fazer uma refeição gostosa! E o último trocadilho presente na sopa: a enorme quantidade de ingredientes simples da culinária japonesa que você encontra em qualquer casa de olhinhos puxados!