Feb 20, 2009

All in one city

Morar em NYC não está somente nas baladas, restaurantes e mundo fashion. Está também super relacionado à loucura dessa cidade de ninguém, que ninguém entende muito bem como deu certo. Ela é uma tripinha de terra fria, suja e gelada, ou então quente e fedida com pessoas mal-humoradas que correm para cima e para baixo. E ainda assim, é uma das cidades mais famosas e visitadas do mundo. Acho que essa nem Freud explicaria.

E NYC é fascinante também pela diversidade que se encontra por aí. Todo mundo sabe que o Brasil é um típico exemplo de arroz a grega ou salada de fruta, em que pegaram um monte de cores, tipos, formatos e jeitos e enfiaram ali naquele pedaço de terra grande. Mas os brasileiros tiveram a capacidade de se misturar, e mesmo vindo de tantos cantos diferentes, todos se consideram de uma mesma nacionalidade.

Aqui não, e acho que fora do Brasil isso não acontece tão facilmente. As pessoas são
African-Americans, Korean-Americans, Japanese-Americans e assim vai. Até eu viro uma Japanese-Brazilian! Por mais que gerações e gerações tenham se instalado nos Estados Unidos, existe a diferença entre casa e lar. Não sei qual veio primeiro, se eles se isolaram porque não se misturam ou não se misturam porque se isolaram, mas em todos os cantinhos você vê cada um na sua cultura, no seu idioma e nas suas raízes.

Um grande exemplo disso está a alguns passos da minha casa. Ali pela 9th Avenue já não se encontra tanto o burburinho da cidade que nunca dorme, mas sim a cidade dos retalhos. São diversas lojinhas encostadas e espremidas que acolhem de tudo, asiáticos vendendo plantas, mexicanos vendendo sucos naturais, gregos vendendo gyros e povos que não faço idéia de onde vieram tocando mercearias. Todos são negócios de família, que surgem e desaparecem, às vezes instalados por anos, às vezes por meses.

E por que tudo isso? Bom, eu comprei umas calças e precisava fazer a barra, baixinha tá sempre acostumada com isso. Tentei
by myself pra economizar, mas não deu. Tentei a ajuda do Felipe para medir e mandarmos aqui no prédio. Já sabe, né? E aí fui a uma lojinha de "conserta-se tudo" lá na 9th Avenue.

No meio de bolsas Louis Vutton duvidosas, cola de sapateiro e chaves, eu troquei de calça - dentro do meu sobretudo gigante - e o dono da lojinha marcou as barras para mim. Conversa vai e vem, ele vai entregar em casa na segunda-feira, por bem menos do que o que se cobraria no meu prédio e o pagamento é só na entrega.

Também descobri que ele é do Uzbequistão, a primeira pessoa na minha vida que conheço de lá. Ele até falou
"Almost Russia, you know?" Pensando bem, a nossa salada de fruta brasileira até que tá bem mixuruquinha em variedade, não?!

4 comments:

Ana Paula said...

Nossa, adorei o texto, parabéns!! Beijocas. Ana-Bo

lcamara said...

apoio, tá super inspirado!
E quanto as misturas, entramos para uma segunda questão; será que a gente tb teria se misturado bem se fossem n culturas a mais?
Bjos!

Marilia said...

A sogra faz barra "de gratis" qdo estiver por aí, ou vs por aqui.
Beijinhos!!!

Aldine Mizushima said...

Adorei o post tbem!
Quando morava na Alemanha e tinha vizinhos meus de paises q eu sabia que nunca encontraria no br, achava demais. Uma amiga da faculdade era do afeganistao e comia com a mão, isso mesmo, com a mão. Demais neh?

p.s: to pensando em ir pros USA em setembro. Passar dias com um amigo meu e uns 5 visitando NYC.

beijos