Nova York sempre me impressiona. É uma cidade muito maluca e com uma dinâmica que você piscou, mudou. Seja no semáforo, em que naquela suspirada às 8am com sono você será atropelado por um engravatado mal-humorado e seu Starbucks, ou seja numa simples caminhada rotineira em que você vê algo diferente que não estava lá ontem.
E numa dessas caminhadas, num sábado bonito que resolvemos sair pra andar e almoçar em algum lugar gostoso, aproveitei pra passar na loja da Nespresso lá da Madison (com 66th St) e comprar umas cápsulas pra minha cafeteira. Andamos pra lá e pra cá e de repente me senti andando pelo centrinho de Copenhagen de novo.
Demos de cara com a loja do [Georg Jensen]. Para aqueles que não o conhecem - e eu também não conhecia antes de ir pra lá - o cara é um MUST de design de jóias (Pensamento: jóia ainda tem acento na nova gramática?) e itens de prata para casa. As linhas dele são super modernas, e ao mesmo tempo ficam na moda por décadas. Sim, Paula também sabe falar - um pouco! - de moda! Principalmente quando o cara sabe fazer o saleiro mais lindo que eu já vi na vida!
Ter achado a loja dele aqui em NY me fez refletir muito sobre essa cidade maluca. A primeira coisa que me surpreendeu é que o saleiro custa menos aqui em NY do que na Dinamarca. Fala sério, se tem algum lugar em que o custo das coisas consegue ser mais alto do que em NY é lá pelas bandas da Escandinávia. E isso se reflete até no saleiro. Mas mesmo assim, como o produto pode ser importado e ainda assim ser mais barato?
E o segundo pensamento foi: o que será que eu procuro em NY e não encontro? Juro que tenho tentado pensar nisso desde que me mudei pra cá. E, claro que de forma importada e pagando os olhos da cara, mas até pão francês e manicure brasileira você encontra. Se procurar, acha. Isso é impressionante. Não consigo pensar em mais nenhum canto do mundo que tenha essa disponibilidade de simplesmente tudo.
Meu pensamento evoluiu para: como Manhattan sustenta essa variedade de tudo quase infinita? Como você consegue encontrar o designer legal da Dinamarca, o pão típico da Noruega e a farinha de mandioca brasileira em um lugar só? Tudo tem que ter um custo, mas qual é esse custo? Ok que todo mundo sabe que o poder aquisitivo médio dessa tripinha de terra é bem alto, mas tão alto assim que tudo tem seu espaço e seu mercado?
E aí, no caminho de casa, olhei pra esquina e vi que não. O restaurante Roberto Passon, que virou Giuliano há uns meses, agora virou Bistrô Mexicano. E pra mim foi a resposta da pergunta que ficou na cabeça desde cedo. Você tem que ser diferente, tem que ter um produto legal, tem que ter um público que compre, que se mexa pra chegar a você. E nessa cidade maluca, o seu público vira as costas se o salmão de ontem não foi igual ao salmão da semana passada.
Cheguei a conclusão de que com tantas opções assim, se você não for o designer dinamarquês ou a brasileira que depilava Giselle, grandes chances de que em alguns meses ou até semanas a cidade se cansa e te troca por algo diferente. Triste, né?
Aug 24, 2010
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2 comments:
Acho de alguma forma NY e SP parecidas. O fato de se achar quase qq coisa em ambas as cidades, sendo que NY tudo concentrado e SP mais espalhado.
Na verdade, o que fica é o que é bom. Até de uma forma cruel, mas é assim que funciona. Em NY isso deve ser muito mais evidente e mudar mais rápido que em qualquer lugar.
Adoro essa sensação de que se pode achar tudo num lugar só... fascinante!
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