Mar 19, 2009

O tombo

Podem rir.

Eu nunca fui uma pessoa muito centrada. Nem psicologicamente nem fisicamente, sempre tive que me esforçar pra parar quieta na cadeira e estudar pra escola. Quando era criança as professoras sempre me falavam que eu atrapalhava os meus colegas. Ah vá, não existe conversa de uma pessoa só, então esse ponto de vista é meio torto, mas enfim. Também nunca fui muito boa de equilíbrio, nunca fiz balé, gostava de dançar e jogar basquete, mas correr, trocar a bola de mão, pular e acertar a cesta eram tarefas demais a serem feitas ao mesmo tempo, ainda mais quando eu parei nos 1.60 de altura.

E impressionantemente meu último acidente de que me recordo foi o [bike crash], em que um ser sem freio bateu a bicicleta na minha e meu pé ficou no meio. Nada grave, foi ainda na época da pacata Califórnia, em que as preferências são obedecidas. E mesmo depois de nos mudarmos pra NY, onde no verão ando de instáveis Havaianas e no verão há gelo na rua, eu ainda não tinha caído.

Exatamente no dia 19 de março, isso mudou. Eu estava andando lá na Grand Central de manhã. O lugar é uma cena de filme, formigas e formigas andando. Os corredores tem faixas de trânsito imaginárias, as pessoas andam no mesmo ritmo. Nem ouse parar para pegar algo que caiu no chão. Quer amarrar o sapato? Vá indicando que trocará de faixa e encoste a direita. As pessoas correm, cantam, lêem, ouve música, tudo ao mesmo tempo.

E depois de um tempo eu incorporei o espírito novaiorquino, a cara não-tenho-tempo e as passadas rápidas da perna. As pessoas no farol me irritam, como alguém não viu que a outra luz já ficou amarela? Velhinhos estão perdoados, turistas, médio. Sem contar que eu ajudo pelo menos 2 turistas por dia, o que me dá ainda mais certeza de que o ritmo de vida californiando ficou em algum passado distante.

E hoje nessas minhas passadas rápidas, fui trapaceada pela bota e o chão da Grand Central. O mármore que tantas vezes admirei e achei lindo, que recomendei ser visitado por turistas, me passou uma rasteira. Literalmente. A cena foi ridícula e não sei muito bem o que aconteceu.

Em um momento eu estava descendo os degraus, no instante seguinte algo escorregou. Cena patética da pessoa tentando manter o equilíbrio, parecendo patinador no gelo. Cai de vez, meu! Mas não, aquele bambambam até a hora em que o calcanhar falha e capoft. Mas não bastava parar ai, não! Tum, ai, tum, ai, tum, ai... Sim, eu desci 5 degraus de bunda, meio que tentando segurar a bolsa para as coisas não voarem com a mão direita, e mantendo a mão esquerda no bolso para o iPhone não voar. Nessas horas que a gente descobre o valor que um iPhone tem, ele não poderia se esborrachar, mas eu e meu traseiro, whatever, né?

E aí uma hora eu parei. Ali, no último degrau. Duas pessoas passaram e me ofereceram ajuda, mas eu continuei sentada tentando assimilar o que tinha acontecido. Tentando achar o maldito Gasparzinho que me passou a perna. A terceira pessoa se ofereceu para chamar 911, e aí eu me dei conta da aparência descabelada e da próvavel cara de miserável que eu estava, e me levantei.

Ui, sentei de novo. Acho que a perna saiu da bacia! Mas não, continua andando, falta pouco. Pra onde eu tava indo mesmo? Cadê meu iPhone? Ah, tá aqui, ufa.

5 comments:

Luciana said...

Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui, e olha só, ela continua escrevendo - e cada vez melhor! :-)
Eu voltei ao mundo dos blogs tb, mas o meu ainda é uma mudinha pequena, ainda não sei que tipo de planta ele vai virar. Vai lá ver!
Bjs

Marilia said...

Ai, ai, ai... Só mesmo quem caiu recentemente sabe a dor de um tombo.
Pra mim já faz um tempinho... mas meus joelhos passaram um BOM tempo doendo.
Almofadinha de pneu na bunda!!!
Beijos e ah, durma de brussos!

Giselle said...

Aii querida, coloque gelo, fique de repouso. Me lembro bem dos meus ultimos tombos na patinacao do gelo ai mesmo em NY. Ficou roxo longas semanas.

Juliana said...

Py, desculpas de ante mao, porque eu soh consegui foi rir, rir e rir do seu tombo! O texto tah o maximo, bem estilo Antonio Prata e deu pra visualizar a cena todinha de camarote! Rs... Me lembrou um tombo que eu levei numa das rampas da PUC SP, que detalhe fica virada para o patio onde TODO MUNDO fica fofocando na hora do intervalo. Cai de bunda, bem ali com direito a plateia de estadio de futebol. Machucou mais o orgulho do que a bunda. x

Unknown said...

Sorry, mas confesso que ri bastante
e gostoso, não pelo tombo em si mas pela maneira gostosa de contar, aliás como tudo que escreve.
Lembrei muito de todos os meus tombos, até o último há mais de ano e meio,e que não consigo esquecer....

Bjs, e hirudoid nos roxinhos,