Mar 30, 2009

My Food Concerns

Sempre aprendi na faculdade que no Brasil a gente não tem muito controle da produção de alimentos. Os níveis de pesticida não são tão precisos, hormônios são dados aos animais, as galinhas orgânicas não recebem uma alimentação inspecionada e assim vai. Depois de 5 anos de faculdade, cheguei a conclusão que nem de ar e água a gente sobrevive, porque até isso está contaminado. Então adotei a atitude desencane e seja feliz, pois comer é sim um dos lindos prazeres da vida.

Tem-se a idéia de que as coisas pelo mundo são melhores, que a terra é melhor aproveitada, os recursos bem utilizados. Nhé, até parece. Um americano, sem tanto conhecimento técnico, me disse um belo dia que as carnes no Brasil eram mais gostosas do que as daqui porque a gente deixava o gado crescer em paz. Discordo, há diferenças no clima, nas raças, nos cortes e, claro, na bugiganga que eles comem também, mas não podemos desconsiderar os fatores ambientais e climáticos que fazem as carnes serem melhores lá ou cá.

Mas sim, tem coisa ali que é diferente, e a melhor prova disso para mim é a duração das comidas da América, que as pessoas justificavam com o fator climático. Ah, aí é mais frio, aí é mais quente, aí é mais seco. Sim, verdade, mas nada disso faz as coisas durarem tanto tempo assim.

E como eu sei disso? Ando fazendo uns testes bem caseiros. O primeiro foi do pão. Eu comprei um pão de forma daqueles tipo Pullman e deixei na geladeira. Morando em uma casa com poucas pessoas, eu já havia visto esse tipo de pão embolorar mesmo na geladeira. Realmente, mais de um mês depois ele ficou meio azul. Ah! E aí fui fazer o teste com o pão do Weight Watchers, que considerando a quantidade de calorias é um milagre da panificação. Durou de outubro a fevereiro. Sim, CINCO meses. E ele não embolorou, eu que acabei desistindo e jogando fora, com medo que ele contaminasse as outras comidas da geladeira.

E isso acontece sempre no dia-a-dia. Outro dia esqueci uma caixinha de uva na geladeira. Esquecida mesmo, por exatos 10 dias. E ela estava lindona, doce e suculenta. O Fê esqueceu peras, e elas estão ainda lá, há 3 semanas.

my 10-days old grapes


Mas o mais surreal pra mim ainda são os leites. Eles ficam dias e dias e dias abertos na nossa geladeira de temperatura não tão estável. Eles não sofrem UHT (ultra high temperature), mas sim a pasteurização branda de "quase 100ºC" que americano gosta. E eles ainda assim não azedam. Eu cheguei até a considerar a remota possibilidade de tomar um leitinho de soja como meu segundo copo de "leite" diário, mas desisti quando achei que em vez de leite eu estava lendo o rótulo de um suplemento vitamínico artificial. É, talvez o americano tivesse razão, aqui eles colocam algo a mais mesmo nas suas vacas. E em nós.


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Someone once told me that Brazilian meat was better than American as there are less hormones added to it there. At that time I disagreed that it could be the main reason, as we do have to consider species, climate differences and also different cuts, such as rib eye and picanha.

But after living in the US for a while, I have to admit that it might be true. I've been doing some home analysis, nothing sophisticated or that has much of a control as it should. First was my experiment with bread. I just got the same style I used to buy in Brazil and it lasted for a few weeks more. Then, it came the Weight watcher's bread, which seemed a miracle to the baking industry, making it possible to eat bread and consume such few "points". Well, it lasted for FIVE months in my fridge, and there was still no mold when I threw it away, I just gave up on it.

And it goes like that. Grapes and pears can be there for weeks in my fridge and will not spoil. Milk, even though it is not UHT-ed (high temperature process) as it is in Brazil, lasts much longer. Chicken fillets are the size of a 10 pounds bag of rice. And I'm not talking about bad quality food, as part of my research involved extensive trips to Whole Foods. Maybe there is something added to our food that we're not aware of.

5 comments:

Marilia said...

Curti as observações.
Incrível o que "ouvimos falar" sobre as comidas aqui e aí...
Os conservantes americanos Xs a falta de cuidados e higiene no Brasil.
Acho que só nos resta abraçarmos a um pouqunho de bom senso e torcer para que tudo corra bem.
Bjs

Aldine Mizushima said...

Conta mais! Conta mais!!

p.s: ah, queria saber dos livros que vc anda lendo....além dos livros sobre o Milo! rs....
To precisando de dicas inspiradoras!

π said...

Ixi, meu último amigo de cabeceira foi Puppies for Dummies... E também adorei ler Q&A (aka Slumdog Millionaire, antes de ver o filme).

Mas continuando no mood das comidas, eu indico Animal, Vegetable, Miracle da Barbara Kingsolver e Simple Food book da Alice Waters (e os outros livros dela tb).

Luciana said...

Nossa, fiquei assustada com este post! Achei muito curioso que, em Londres, a gente tinha que jogar as coisas fora pq elas estragavam antes que pudéssemos comer. Talvez porque eu comprasse muito orgânico, e talvez porque os orgânicos de lá sejam mais orgânicos... o fato é que estragavam sim, e muito!

π said...

Sim! Nós percebemos isso. Acho que uma das diferenças é a umidade de Londres, percebi como as frutinhas estragavam MUITO rápido!